Introdução
Esta reflexão enquadra-se Unidade Curricular Educação e Sociedade em Rede, onde foi proposta uma reflexão crítica em torno de 3 vídeos seleccionados em grupo, para uma análise colaborativa. Neste espaço do blog, apresento as ilações tiradas. Os vídeos colocados a mesa para reflexão críticas são os listados a baixo:
1. Digital Transformation of teaching and learning.
2. Education 4.0 (Jisc) Transforming the future of education.
3. AI and the Future of Education. Will Robots Replace Teachers?
Transformação digital no ensino e aprendidagem
Este vídeo é apresentado por Aras Bozkurt, Professor Doutor Associado de Educação à Distância da Universidade de Anadolu, na Turquia.
O vídeo Digital transformation of teaching and learning (2021), apresentado por Aras Bozkurt, propõe uma reflexão direta: afinal, o que significa transformação digital na educação: evolução tecnológica ou mudança humana?
Bozkurt parte de um enquadramento histórico para explicar como saímos da sociedade agrícola para a industrial e, agora, para a sociedade da informação, onde dados e conhecimento são poder. Nesse cenário em rede, impulsionado pelas tecnologias digitais, o conhecimento cresce em velocidade exponencial e a educação precisa acompanhar a mudança.
Nessa perspetiva, transformar digitalmente não é usar tecnologia por modismo, mas criar valor, redesenhar processos humanos e fortalecer estruturas sociais. Nas instituições de ensino, isso significa repensar currículos, práticas avaliativas, papéis docentes e perfis de estudantes.
Um ponto central do vídeo é a crítica ao tecnocentrismo que se materializa quando a tecnologia ocupa o lugar de protagonista o que é um risco, pois se as máquinas ditam o caminho, perde-se o sentido pedagógico. A alternativa defendida é o humanocentrismo, onde a tecnologia serve para apoiar aprendizagens significativas, ampliar acessos e promover inclusão.
Na era da sociedade em rede, sabe-se que a transformação digital exige formação docente contínua, capacidade institucional de inovação, literacia digital e modelos pedagógicos flexíveis. Não basta adotar ferramentas: é preciso estratégia, cultura e visão crítica.
Transformar digitalmente não é substituir professores por algoritmos é redesenhar a educação para um mundo cada vez mais em mudança.
Educação 4.0: Transformando o futuro da edudação através de tecnologia avançada
O vídeo Education 4.0, publicado pela Jisc, propõe uma mensagem simples e urgente: a educação tradicional já não responde às exigências de um mundo moldado pela tecnologia avançada e pela Indústria e lembra que não basta mudar ferramentas, mas sim transformar o próprio paradigma educativo.
A narrativa percorre a evolução histórica dos modelos de ensino:
· Educação 1.0: memorização e transmissão de conteúdos;
· Educação 2.0: acesso aberto e participação inicial;
· Educação 3.0: colaboração, criatividade e flexibilidade;
· Educação 4.0: aprendizagem autónoma, ativa, inovadora e orientada à mudança.
Segundo a Jisc, a revolução tecnológica traduz-se pela inteligência artificial, realidade virtual e aumentada, automação, big data que exige novas competências humanas, como pensamento crítico, resolução de problemas, literacia digital, personalização da aprendizagem e capacidade de adaptação.
A Educação 4.0, portanto, coloca o estudante no centro do processo e desafia instituições e docentes a repensar práticas, ambientes, currículos e infraestruturas tecnológicas. Mais do que consumir conteúdo, o aprendiz deve criar, conectar-se e participar em redes.
Os principais desafios no futuro da educação são a falta de políticas, formação docente, desigualdades digitais e ética da IA.
A Educação 4.0 é um apelo ao setor da educação para repense o paradigma da educação na sociedade em rede.
IA e o futuro da educação. Robôs substituirão professores?
O video AI and the Future of Education – Will Robots Replace Teachers? levanta uma pergunta provocadora que tem alimentado debates desde a pandemia: será que a Inteligência Artificial vai substituir professores?
O documentário explora tendências como personalização algorítmica, automatização de tarefas docentes (correção, criação de materiais) e novos modelos de aprendizagem ajustados ao ritmo do estudante.
Embora reconheça o potencial da IA, o vídeo também sublinha riscos: dependência tecnológica, perda de interação humana e redução do professor a mero operador de sistemas. O papel docente é reposicionado como o de mentor, facilitador e guia emocional, e não apenas transmissor de conteúdos.
No entanto, o vídeo simplifica questões estruturais. A pergunta não é apenas “máquinas vão substituir humanos?” O verdadeiro desafio é como reconfigurar sistemas educativos ainda industriais para um mundo pós-industrial e hiperconectado.
Há aqui uma lacuna: estudantes e docentes valorizam competências humanas impossíveis de automatizar como a empatia, ética, criatividade e leitura emocional.
Outro ponto abordado é a desigualdade. Salas equipadas com tecnologia de ponta exigem investimento, orientação humana e, muitas vezes, são acessíveis apenas a elites. Sem políticas públicas fortes, literacia digital na infância e formação docente contínua, a IA pode ampliar e não reduzir assimetrias, mesmo com os seus inúmeros benefícios: acelerar feedback, apoiar personalização e libertar tempo docente, contudo, nem tudo é um amar de rosas, pois a IA não consegue cuidar, inspirar, moderar conflitos, criar sentido ou construir relações, tarefas que definem a docência.
A conclusão que emerge é clara: a IA não eliminará professores, transformará e complementará a profissão.
Considerações finais
Com recensão crítica a esses vídeos constatou-se que o futuro da educação será colaborativo, combinando tecnologia como ferramenta, professores como mediadores e mentores, estudantes como protagonistas e ambientes de aprendizagem em rede.
A transformação digital não eliminara o elemento humano da educação, mas flexibiliza e potencializa o ensino. Toda tecnologia, seja IA ou robótica, não é inimiga, mas sim aliada, contudo, o verdadeiro desafio é integrar essa tecnologia com ética e equidade para preparar todos os intervenientes para a educação contemporânea aliado a políticas públicas fortes e literacia digital de professores e estudantes.
Refências:
Bates, A. W. (2017). Educar na EraDigital:Desing, ensino e aprendizagem.
https://www.abed.org.br/arquivos/Educar_na_Era_Digital.pdf
Bozkurt, A. [C3L - Center für lebenslanges Lernen der Universität Oldenburg] (2021/11/18)
Digital transformation of teaching and learning. [video]youtube https://www.youtube.com/watch?v=i-8iU9f8rkY
Future Intelligence. (2023). AI and the future of education: Will robots replace teachers? [Vídeo]. YouTube. https://www.youtube.com
Grajek, S. (2019-2020). How colleges and univerities are driving to digital transformation today.EDUCASE. https://elearning.uab.pt/pluginfile.php/ 4131030/ mod_resource/content/1/ER20SR214.pdf

Olá Esmeralda,
ResponderEliminarAntes de mais, votos de um ano 2026 com muita saúde e sucessos a todos os níveis!
O artigo-relatório que apresentas fornece um enquadramento muito pertinente, assente numa necessidade concreta da Universidade Pedagógica de Maputo: alargar a capacitação de docentes do domínio técnico para uma utilização pedagógica, crítica e fundamentada de REA. A seleção dos recursos é adequada e de elevado valor no âmbito da Educação Aberta, articulando um REA introdutório e conceptual com outro claramente orientado para a prática docente.
Os critérios de seleção revelam coerência com o e-learning e com o contexto moçambicano, valorizando licenciamento aberto, relevância pedagógica, acessibilidade e potencial de adaptação. Considero particularmente relevante a planificação da atividade, na qual demonstras intencionalidade pedagógica no âmbito das PEAs, com metodologias ativas, colaborativas e avaliação aberta, favorecendo a transferência dos REA para a prática real dos docentes.
Num contexto como o de Moçambique, os REA e a Educação Aberta assumem um papel ainda mais estratégico na democratização do acesso à educação, funcionando como fator multiplicador com a formação de professores. A proposta evidencia, assim, um uso consciente dos REA, com impacto formativo, institucional e social notável. Parabéns!
Um abraço.
Judite