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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Práticas Educativas Abertas para o Bem Comum



                                                                 Imagem gerada por IA (ChatGpt)

Nota introdutória

As Práticas Educativas Abertas referem-se a práticas específicas de ensino e aprendizagem que, além de utilizarem os REA, estão abertas à mudança, adaptações e à colaboração, Santos, 2019 p. 26. 
No entanto, as Práticas Educacionais Abertas (PEA) vão além do simples acesso gratuito, elas envolvem uma cultura de colaboração, compartilhamento e, crucialmente, a aplicação dos 5Rs de David Wiley: Reter, Reutilizar, Revisar, Remixar e Redistribuir. Para que uma prática educativa seja considerada inovadora hoje, ela geralmente rompe com o modelo de "transmissão de informação" e coloca o estudante como protagonista, utilizando tecnologias ou metodologias que estimulam o pensamento crítico e a colaboração.

 Conhecimento como um bem comum

A noção de bem comum na educação relaciona-se com a garantia de acesso equitativo ao conhecimento, a promoção da justiça social e o fortalecimento das capacidades coletivas para o desenvolvimento sustentável. No âmbito da Educação Aberta, as Práticas Educativas Abertas (PEA) desempenham um papel central ao ultrapassarem a lógica de mercantilização do saber, promovendo a partilha, a colaboração e a apropriação social do conhecimento.

Neste contexto, apresento a seguir 3 práticas educativas abertas orientadas para o bem comum:


    1.       OER Africa

     https://www.oerafrica.org/


                                                                  Fonte da imagem. https://oercommons.org


A OER Africa é uma iniciativa coordenada pelo South African Institute for Distance Education (Saide), surge como uma resposta estratégica aos desafios de acesso, qualidade e sustentabilidade no ensino superior em África. Mais do que um repositório de recursos, configura-se como uma Prática Educativa Aberta (PEA), orientada para o fortalecimento da educação superior por meio da promoção do uso, da criação e da contextualização de Recursos Educacionais Abertos (REA), com especial ênfase na capacitação docente e na colaboração institucional.

                                                                                                        OER Africa como Prática Educativa Aberta

Enquanto prática educativa aberta, o OER Africa promove uma mudança de paradigma pedagógico, deslocando o foco do consumo passivo de conteúdos para a produção, adaptação e partilha colaborativa do conhecimento. Os docentes são incentivados a apropriar-se dos recursos, adaptando-os às realidades curriculares, linguísticas e socioculturais dos seus estudantes. Esta abordagem reforça a autonomia pedagógica, valoriza o conhecimento local e contribui para a sustentabilidade das práticas educativas abertas nas instituições participantes.


Alinhamento aos 5R de David Wiley

O valor pedagógico e legal da OER Africa baseia-se na plena conformidade com as cinco liberdades que definem um REA:

  • Reter (Retain): docentes e instituições podem descarregar guardar e arquivar os REA disponibilizados, assegurando o acesso contínuo aos materiais, mesmo em contextos de conectividade limitada.
  • Reutilizar (Reuse): os recursos são utilizados em diferentes cursos, modalidades e contextos educativos, incluindo formação inicial e contínua de docentes, educação presencial e Educação a Distância.
  • Revisar (Revise): adaptação dos conteúdos, permitindo alterações linguísticas, pedagógicas e curriculares, de modo a responder às necessidades locais e institucionais.
  • Remixar (Remix): Os REA podem ser combinados entre si ou integrados com outros recursos abertos, dando origem a novos materiais educativos contextualizados e pedagogicamente mais relevantes:

  • Redistribuir (Redistribute): As versões adaptadas e os novos recursos produzidos podem ser novamente partilhados com licenças abertas, promovendo a circulação do conhecimento e o fortalecimento de comunidades educativas.


Impacto para o Bem Comum

A OER Africa demonstra impacto através de:

  • Soberania Intelectual: Redução da dependência de livros importados e caros, permitindo que universidades africanas produzam e publiquem seus próprios currículos promovendo o aumento do acesso equitativo a recursos educativos de qualidade;
  • Redução de Custos: Adoção de livros didáticos abertos que economizam recursos financeiros de estudantes e governo e redução da dependência de materiais proprietários;
  • Colaboração interinstitucional: Integração de materiais em diferentes línguas, fortalecendo a rede de pesquisadores entre os países através do compartilhamento de práticas pedagógicas inovadoras.


2.      Modelo OpenStax

                https://openstax.org/

                                                    Imagem obtida em https://openstax.org/

O OpenStax é uma iniciativa de educação aberta sediada na Rice University (EUA), criada com o objetivo de ampliar o acesso equitativo a materiais didáticos de alta qualidade no ensino superior. Embora seja amplamente reconhecido pela produção de manuais didáticos abertos, o OpenStax ultrapassa a função de simples repositório ao promover uma prática educativa aberta sustentada na produção colaborativa, na revisão por pares e na disseminação de conhecimento como bem público.


Alinhamento com os 5R

Os recursos produzidos pelo OpenStax são disponibilizados com licenças Creative Commons (CC BY), o que assegura plenamente os 5R de David Wiley: os utilizadores podem reter os materiais, reutilizá-los em diferentes contextos educativos, revisá-los para adequação curricular, remixá-los com outros Recursos Educacionais Abertos e redistribuí-los livremente. Esta abertura permite a adaptação dos conteúdos a diferentes realidades institucionais, culturais e pedagógicas, reforçando a sua relevância global.


 

Impacto para o Bem Comum

Enquanto prática educativa aberta, o OpenStax contribui para o bem comum ao reduzir custos educacionais, promover justiça social no acesso ao conhecimento e apoiar docentes na adoção de práticas pedagógicas mais inclusivas.
Estima-se que o OpenStax já tenha poupado aos estudantes mais de $1.2 mil milhões de dólares em custos de manuais escolares.
Ao disponibilizar conteúdos científicos validados e abertamente licenciados, a iniciativa fortalece a educação como um direito coletivo e como um recurso partilhado, beneficiando não apenas instituições individuais, mas a sociedade em geral.
O OpenStax contribui para uma disseminação do conhecimento mais equitativa, confiável e sustentável e para eliminar barreiras ao aprendizado, pois acredita que uma sociedade bem-educada beneficia a todos.


3. Repositório Aberto da Universidade Aberta de Portugal

                                                                                           Imagem obtida https://repositorioaberto.uab.pt

 As práticas desenvolvidas pela Universidade Aberta (UAb) transcendem a função de simples repositório de conteúdos, constituindo um ecossistema de inovação pedagógica alicerçado nos princípios da abertura, da colaboração institucional e da partilha do conhecimento.

 

Principais Práticas Educativas do Repositório da UAb:

· Iniciativa AULAbERTA: Oferece cursos e disciplinas em acesso aberto. O diferencial é disponibilizar guias pedagógicos junto aos materiais, ensinando outros professores a aplicar as estratégias de ensino.

· Rede WEIWER® (Wikipédia): Integra a edição de verbetes da Wikipédia ao currículo acadêmico. Os alunos criam conteúdo público como forma de avaliação, promovendo a literacia digital e a ciência aberta.

· Modelo Pedagógico Virtual (MPV): Aplica padrões de flexibilidade e interação em todos os seus recursos (e-books, teses e multimídia), garantindo que sejam objetos de aprendizagem adaptáveis e centrados no aluno.

 

Alinhamento aos 5R

A prática educativa promovida pelo Repositório Aberto concretiza-se nos princípios dos 5R, permitindo que o material seja revisado: Traduzido ou atualizado;

  • Remixado: Combinado com materiais locais de outros países;
  • Redistribuído: Usado em MOOCs (Massive Open Online Courses) globais.


Impacto para o Bem Comum

· Democratização do Acesso: Quebra as barreiras financeiras e geográficas ao oferecer gratuitamente recursos de alta qualidade para qualquer pessoa com internet, promovendo a equidade educativa.

·  Conhecimento como Bem Público: Ao utilizar licenças abertas  o repositório garante que o conhecimento não seja uma mercadoria trancada, mas um património da humanidade que pode ser livremente reusado, adaptado e melhorado por outros educadores e cidadãos.

·   Inovação e Qualidade Social: 

  Não apenas armazena documentos, mas compartilha o "como ensinar" através de modelos pedagógicos. Isso eleva o nível da educação global, ajudando professores a modernizarem suas práticas e permitindo que cidadãos comuns aprendam ao longo da vida de forma autônoma.

 

 Considerações Finais

 Apesar de atuarem em contextos distintos, o OpenStax, a OER Africa e o Repositório Aberto da UAb mostram que as Práticas Educacionais Abertas, quando orientadas pelos 5R, contribuem efetivamente para o bem comum. Ao promoverem acesso, adaptação, colaboração e partilha do conhecimento, estas iniciativas reforçam a equidade educativa, transformam práticas pedagógicas e demonstram que a educação aberta é um caminho concreto para sistemas de ensino mais inclusivos e sustentáveis.


Conteúdo produzido com apoio de IA (ChatGPT  e Gemini)


Referências

Santos, A. I. (2022) Educação aberta para académicos: Modernização do ensino superior através de práticas educativas abertas. Trad. Fundação Universia. Original publicado em 2019.

https://www.metared.org/content/dam/metared/pdf/GuiaEduca%C3%A7%C3%A3oAberta2022.pdf

 

Wiley, D., & Hilton III, J. (2009). Openness, dynamic specialization, and the disaggregated future of higher education. International Review of Research in Open and Distance Learning, 10(5).

https://www.irrodl.org/index.php/irrodl/article/view/768

 

Furtado, D. & Amiel,Tel. (2019). Guia de bolso da educação aberta. IEA. https://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/564609/2/


 


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